Fui até a cama e engatinhei até a cabeceira, onde levantei o edredom e me enfiei debaixo dele, olhei para o meu relógio no criado mudo. Já eram 5h da manhã, faltavam apenas uma hora para eu acordar.
58 min. Depois
“Bendito” despertador.
E que vento chato é esse?
Coloquei minhas mãos em frente a ele tentando protegê-lo do frio; mas minha tentativa foi vã já que o vento agora batia em minhas mãos. Com muita preguiça, abri os olhos procurando a fonte daquele vento chato; encontrei a porta (que dava para a sacada) do meu quarto aberta.
Estou tão cansada.
Tudo por causa da Rose que me ligou ás 23:00 horas dizendo que queria conversar porque não conseguia dormir.
Tirei forças não sei de onde e cosegui sentar na cama encostando-me à cabeceira.
Ai se eu pudesse ficar mais alguns minutinhos na cama.Mas não podia,se não iria me atrasar, e ainda tinha Rose;hoje chamaria ela para ficar na minha casa,e tenho certeza de que ela aceitaria.
Cocei os olhos e a cabeça(não é piolho não,tá gente?É que quando estou cansada ou com sono eu coço a cabeça e os olhos,sempre foi assim).
Eu tinha que fechar a porta da sacada,antes que eu ficasse gripada por causa deste vento gelado.
Me joguei na cama,de modo com que meu pé ficasse para o lado da cabeceira e minha cabeça no lado oposto.E assim rolei para o lado esquerdo em direção à porta da sacada;e foi assim que eu saí da cama…Bem!Na verdade eu me joguei da cama (mas dá tudo na mesma. O importante é o fato de eu ter saído da cama).
Fui me arrastando até a porta, estiquei a mão e a fechei.Eu sei que teria sido bem mais fácil se eu tivesse ido com as minhas próprias pernas,mas,como a minha mãe diz:nasci no dia da preguiça.
Fiquei algum tempo nessa posição (com a cabeça enterrada no tapete), até que ouvi a porta do meu quarto ser aberta. Olhei na direção dela,era a “minha babá”
-Oi D.Teresa!-disse com uma voz cansada.
-Posso saber o porque da senhorita estar aí jogada ao invés de estas se trocando para ir para o colégio,hein Isabella?-perguntou com a voz repreensiva.-E que cara é essa de quem não dormiu direito?Olha a sua situação!E o seu cabelo nem se fala. Tudo isto é por causa da viajem dos seus pais?Você está parecendo um zumbi ambulante.
-Não Terê. Não estou assim por causa dos meus pais, ainda. -dei ênfase no final. -Isso se chama efeito Rose.
-O que ela fez desta vez?-Todas as vezes que eu não estava normal tinha que ser culpa da Rose,e quando não era,colocava toda a culpa nela.Não é que eu seja uma má pessoa,mas é que meus pais nunca dariam bronca nela,e eu nunca estou afim de ouvir muitos sermões,então,ela é a salvação.
-Ela me ligou ontem e ficamos até as 04:50 h conversando.-expliquei bocejando logo em seguida.
Mas levanta.Quem mandou ficar madrugando.Você podia ter desligado o telefone.
Eu vou preparar o seu café.Vai lavar o rosto que estarei te esperando lá embaixo. -falou a mandona e depois se retirou com a maior disposição do mundo (coisa que eu não tinha).
Levantei-me com a maior preguiça do mundo e fui até o banheiro do meu quarto arrastando os meus pés com minhas lindas pantufas de ursinho bege que acabara de colocar.Abri a torneira e, com a mão em forma de conchinha,lavei o meu rosto,quando fui secá-lo com a toalha que olhei para o espelho e vi o meu reflexo …
“Será que esta daí é eu mesma ou um extraterrestre se apossou do meu corpo?”
Meu cabelo estava todo desgrenhado,parecia um ninho de passarinho,não,de passarinho não,um ninho de rato,ia ser difícil penteá-lo.Estava com olheiras horríveis,fazendo-me parecer 10 anos mais velha.Sem dizer que meus olhos estavam vermelhos de sono.
Saí do banheiro e logo em seguida do meu quarto.Descendo a escada lentamente,cheguei a cozinha,onde minha avó já tomava o seu café.
Sentei na cadeira em sua frente,onde o meu leite já estava posto pela “minha babá”.Coloquei uma grande parte do conteúdo na boca,mas quando senti o gosto horrível de café,botei tudo para fora e,consequentemente,sujando a senhorinha que estava na minha frente.OPS!
-ISABELLA!-Gritou ela.
-Desculpe D.Terê,mas a senhora não sabe que eu não tomo café?
-Eu sei.Mas quando vi esta sua cara de morta-viva,achei que a melhor forma de fazer você acordar seria te dando café.
-Mas eu já estou acordada…
-Sei!E eu tenho vinte e nove anos.-Olhei descrente para a cara dela.-Ué!Nós não estamos brincando do jogo da mentira?
-Não!Não estamos.-disse e peguei alguns cookies,subindo as escadas.
-E o seu café?-perguntou ela.
-Lixo.-Gritei de lá de cima.
-É pecado jogar as coisas fora.-Lá vem elas com essa história novamente.
-Então beba.-Respondi fechando a porta do quarto.
Abri o closet e escolhi a roupa que iria para a escola.Fui para o banheiro,onde me despi.Ia tomar um banho de chuveiro mesmo,já que ia gastar preciosos minutos para encher a banheira.Tomei um “banho de gato”,me enrolei no meu roupão.Fui para o meu quarto e me troquei.
Penteei o meu cabelo(depois de quase ficar careca de tanto puxá-lo).Terminei passando apenas um brilhinho nos lábios,um corretor de olheiras e peguei minha bolsa.
Dei uma última olhada no espelho e saí do quarto,descendo as escadas rapidamente.
-Tchau D.Terê.-gritei abrindo a porta de entrada.
-Tchau querida.-Respondeu ela.-Nate já está te esperando.
Saí e fechei a porta,e fui na direção onde Nate estava,que abriu a porta traseira do carro para mim entrar,depois deu a volta e entrou também.
-Não está atrasada Isabella?-Perguntou ele.
-Só Bella.-Repreendi.Ah!Qual é?Por quê ele tinha que me chamar de Isabella?Bella é muito mais fácil de falar,além de que economiza as cordas vocais.-E sim,estou atrasada.
-Daqui a sete minutos começa a sua aula.-disse ele(como se eu não soubesse).
-E é por isso mesmo que quero que imagine que está em uma corida de carros e que tem que ganhar porque a sua vó está internada em um hospital com câncer e só você pode pagar seus remédios.-Parecia que estava brincando,mas não estava.A primeira aula era a de biologia,não podia perdê-la.
-A minha vó já morreu a anos.-Falou Nate com um sorriso divertido nos lábios.
-Ai credo!Será que você não tem imaginação?
Quando Nate estacionou o carro na frente da escola eu pulei porta afora.
-Tchau Nate.-disse quase chegando na portaria da escola.
-Tchau Isabella.-Caramba!Acho que este menino tem amnésia temporária.
Entrei na escola,os corredores estavam vazios.Fui até a sala de biologia e de fora pude ouvir a voz da Srª Hílton fazendo a chamada,o próximo nome já era o meu,então nem bati na porta,já fui entrando…
-Isabella Swan.-chamou a professora.
-Presente!-Respondi chamando a atenção de todos da sala e fui sentar no meu lugar,que era ao lado de Rose.
-Está 3 minutos atrasada senhorita Swan. -Reclamou a velha macabra.-Dessa vez eu deixo passar,mas da próxima vez receberá uma advertência,portanto,espero que não aconteça outra vez.
-Foram só 3 minutos.-Reclamei.
-Tempo suficiente que você tinha para tirar o material da mochila e se acomodar na cadeira.Além de que você atrapalhou a chamada e suas várias faltas não ajudam muito.Aliás,não acha que já matou muita aula não?Vocês devem achar que eu sou idiota não é?
Na mosca!
-Pensam que eu não sei do rodízio que vocês fazem para matar aula?
OPS!Tava todo mundo fritinho.
-Da próxima vez que algum de vocês matarem aula.Vão ter que fazer o triplo da lição que foi passada no dia.
-“Eu não acredito nisso”.-”Caramba!Só porque amanhã era o meu dia”…
-E parem de reclamar se não eu vou encher esta lousa.Estão atrapalhando a chamada.
Assim que todo se silenciaram ela prosseguiu com a chamada.
Rolei os olhos e bufei.Olhei para Rose que me perguntava o motivo do meu atraso.Até parece que ela não sabia…
-A senhorita que me fez madrugar no telefone.-Falei irritada.
-Eu?-Se fez de desentendida.
-Não a minha avó,e você poderia me explicar o motivo de você não estar igual a mim?Nem parece que está com sono.
-E não estou.Dormi ontem a tarde inteira.-Explicou fazendo um gesto displicente com a mão.
-Eu não acredito.Agora eu é que estou com sono sua egoísta.
-Senhorita Hale você não está ouvindo eu te chamar?-Nem havia percebido a professora chamar Rose.
-Desculpa professora.Presente.-É agora.A professora vai dar a maior bronc…
-Tudo bem querida!São as más companhias.Você não deveria andar com gente assim.-Como é que é?Puxa saco.
***
-Não esqueçam de trazer as atividades na segunda.-Disse o professor Douglas nos liberando.
Arrumei o meu material e saí da sala juntamente com Rose.
Estávamos a uns 30 passos da saída,enquanto Irina(a garota mai chata do colégio,não,do mundo)e suas duas “amigas” (ou devia dizer escravas?)vinham pelo caminho oposto.Irina vinha bebendo um suco e quando estavam a uns quatro passos de nós,Irina fingiu um tropeço,derrubando todo o seu suco na minha roupa.
-Oh,me desculpe!-Fingiu-se de arrependida,levantando-se com ajuda das amigas.
-Nem vem com as suas falsas desculpas Irina,é a mesma coisa de não pedir.-falou Rose brava tentando me ajudar a limpar a minha roupa com uma folha de caderno que eu havia acabado de pegar.Resultado:não ajudou em nada.
-Deixa para lá Rose,sabemos que ela faz isso porquê tem inveja de nós.-afirmei encarando Irina e cruzando os braços de frente ao peito.
-Inveja?De vocês?Essa é boa.Não tenho motivos para ficar com inveja de vocês.Aliás,já ficaram sabendo que logo logo irei viajar para Los Angeles com o meu novo namorado?
-Ai meu Deus!Que sorte a nossa.-Falou Rose com um sorriso que ia de orelha a orelha.-Espero que fique por lá mesmo.
-Para de ser egoísta Rose.Não se esqueça do pobre coitado que vai ter que ir com ela.-Disse eu fazendo uma cara de pena.
-Pobre coitado!-Disse ela irônica.-Vocês deviam ver a conta dele antes de falar alguma coisa.Tem vários zeros.
-Sabe o quê eu acho mais engraçado?-Perguntou Rose a ela.-Que você se importa com a nossa opinião…
-Claro que não!Nunca!-Disse com um sorriso zombeteiro no rosto.
-Então por que você está perdendo o seu precioso tempo para contar essa sua “novidade” para nós?-Perguntou Rose cruzando os braços.
O sorrisinho dela sumiu na hora.
-E querida!Não se preocupe em tentar deixar eu ou a Bella com inveja,pois enquanto você está viajando pela primeira vez para Los Angeles,nós já fomos para lá milhões de vezes.-Dizendo isto deixamos uma Irina embasbacada para trás.
Saímos da escola e…por quê será que tá todo mundo tá me olhando?Ah!É mesmo!Estou roxa.
-AH!Qual é pessoal,roxo está na moda.-MICO.Ainda bem que Nate já estava me esperando.
Antes de chegarmos no carro(sim,a Rose sempre voltava da escola comigo.Ela tinha um motorista particular,mas preferíamos voltar juntas),falei:
- Rose!Meus pais deixaram você ficar em casa.-Disse antes de entrarmos no carro(sim,a Rose sempre voltava da escola comigo.Ela tinha um motorista particular,mas preferíamos voltar juntas).
-Jura?-Perguntou ela visivelmente animada.
-Claro!Vai ficar eu,você e a minha D. Terê.-Disse já a puxando em direção ao carro.
-Ai que legal.Nós fazer muitas coisas divertidas.Podemos ir ao shopping.-Até parece!Odiava ir ao shopping,principalmente com Rose.Ela só saia de lá depois de ir em quase todas as lojas,dizia que a peça perfeita podia estar nas lojas que deixamos de ir.
Chegamos ao carro e Nate olhou para a minha blusa.Um sorriso zombeteiro já se formava nos seus lábios quando falei:
-Sem comentários engraçadinhos.-Entrei no carro sendo seguida por Rose.A porta foi fechada e Nate entrou no carro,dando partida.Podia até parecer falta de educação nosso motorista fazer brincadeirinhas com os patrões(ou filha deles),mas eu e meus pais gostávamos que fosse assim.Era como se Nate fosse da família,mesmo com toda essa familiaridade,Nate nunca faltou com respeito para conosco e vice-versa.
Quando o carro parou em frente à minha casa,desci com Rose.Estranhei ao ver uma viatura policial,mas deixei pra lá,eles deviam estar apenas “checando”.Abri a porta de casa com Rose tagarelando;ela entrou primeiro e parou imediatamente de falar franzindo o cenho e adotando um ar preocupado.Entrei também,para ver o que tinha feito a matraquinha dela para de falar,parando imediatamente ao ver a cena que se passava na sala.
D. Terê olhava para mim com os olhos cheios de lágrimas.Vi dor em seus olhos.Ela assoou nariz com um lencinho,enquanto na frente dela,havia um policial que olhava para mim com…pena?.
Sentia que algo ruim havia acontecido e que era algo relacionado aos meus pais.